
Começou no coração.
Espalhou-se pelos dois átrios e ventrículos. Do momento em que descobri, para ocorrer a manifestação, foi muito rápido. Percebi devido a arritmias constantes durante o dia. Havia instantes que o coração disparava em sobressalto, mas era só respirar devagar que melhorava. Nesses instantes, esquentava tudo. A temperatura do corpo subia tão demasiadamente, que logo caia em cólera.
O que aconteceu depois disso, foi o esperado... As veias e artérias não suportaram a pressão, e começou a espalhar-se para o pulmão. Isso impossibilitou que eu respirasse bem. O ar que eu inspirava nem sequer chegava aos pulmões, resultado disso, foi uma sufocante sensação de nó na garganta. Nó mesmo. Engatava tudo. A comida não passava, o ar não passava, a voz não saia... Toda essa angústia antingiu o meu estômago. Este, por sua vez, ficou tão pequeno que, a partir disso, senti um fastio muito grande.
Naturalmente que meu intestino iria sofrer por consequência. Então todas aquelas ondas peristálticas acabaram por criar uma irritação no sistema digestivo. Cólicas abdominais por dias a fio. Comecei a desidratar. Por causa disso, passei a beber muita água. Os rins imediatamente passaram a trabalhar dobrado. Por não ingerir mais comida, a carência de ferro tornou-se gritante e o fígado entrou em choque.
Como disse, tudo começou no coração.
Foi tão forte que, assim que disseminou para os outros órgãos, o corpo inteiro começou a pulsar a cada batida cardíaca. Percebi que estava a um batimento de falência múltipla dos órgãos.
Então, o telefone toca.
Do outro lado escuto uma voz baixa, devagar, me-ti-cu-lo-sa... Palavras marcapasso penetram os ouvidos atingindo o órgão principal com toda a força. Tal qual um mantra. O coração segue em batidas sublimes. Devagar, o som percorre todo o trajeto sanguíneo. O ar entra avassalador enchendo os pulmões de vida, provocando um reflexo instantâneo de falar. A voz surge. Toda a euforia abre a boca do estômago. Satisfeito, avisa o intestino que chegou a hora de trabalhar. O mantra circula coerente pelas veias e artérias.
Até que chega o momento. Suavemente o som acaba, finalizado, enfim, pela doce lembrança do dizer:
- Que saudade de você.
Adoeço novamente.
Espalhou-se pelos dois átrios e ventrículos. Do momento em que descobri, para ocorrer a manifestação, foi muito rápido. Percebi devido a arritmias constantes durante o dia. Havia instantes que o coração disparava em sobressalto, mas era só respirar devagar que melhorava. Nesses instantes, esquentava tudo. A temperatura do corpo subia tão demasiadamente, que logo caia em cólera.
O que aconteceu depois disso, foi o esperado... As veias e artérias não suportaram a pressão, e começou a espalhar-se para o pulmão. Isso impossibilitou que eu respirasse bem. O ar que eu inspirava nem sequer chegava aos pulmões, resultado disso, foi uma sufocante sensação de nó na garganta. Nó mesmo. Engatava tudo. A comida não passava, o ar não passava, a voz não saia... Toda essa angústia antingiu o meu estômago. Este, por sua vez, ficou tão pequeno que, a partir disso, senti um fastio muito grande.
Naturalmente que meu intestino iria sofrer por consequência. Então todas aquelas ondas peristálticas acabaram por criar uma irritação no sistema digestivo. Cólicas abdominais por dias a fio. Comecei a desidratar. Por causa disso, passei a beber muita água. Os rins imediatamente passaram a trabalhar dobrado. Por não ingerir mais comida, a carência de ferro tornou-se gritante e o fígado entrou em choque.
Como disse, tudo começou no coração.
Foi tão forte que, assim que disseminou para os outros órgãos, o corpo inteiro começou a pulsar a cada batida cardíaca. Percebi que estava a um batimento de falência múltipla dos órgãos.
Então, o telefone toca.
Do outro lado escuto uma voz baixa, devagar, me-ti-cu-lo-sa... Palavras marcapasso penetram os ouvidos atingindo o órgão principal com toda a força. Tal qual um mantra. O coração segue em batidas sublimes. Devagar, o som percorre todo o trajeto sanguíneo. O ar entra avassalador enchendo os pulmões de vida, provocando um reflexo instantâneo de falar. A voz surge. Toda a euforia abre a boca do estômago. Satisfeito, avisa o intestino que chegou a hora de trabalhar. O mantra circula coerente pelas veias e artérias.
Até que chega o momento. Suavemente o som acaba, finalizado, enfim, pela doce lembrança do dizer:
- Que saudade de você.
Adoeço novamente.
Sara Marinho
Gravura Gustav Klimt - The Kiss
3 comentários:
É linda e gênial!!!
Que lindo esse texto, pensamento criativo. Sei bem o que é isso, exatamente isso. O lado do gostar e do amar, é que a entrega pode ser muito dolorosa. Mas as vezes é uma dor boa e faz vc se sentir viva.
Como pode ser tão maravilhoso e doer tanto? Incrível q a vida não nos entrega nada de bom se não puder nos ferir em troca.
Mas vale a pena.
E vale a pena ainda mais pra gente, que pode compartilhar do teu talento incontestável pra relatar aquilo que a maioria das pessoas só consegue sentir.
Tá demais, Sarinha.
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