quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Da repetição


Que dor nas pernas
É essa sensação de andar bem onde as ondas quebram
Eu puxo o ar e estico as pernas em dois passos largos
avanço um metro, depois tudo escurece
Foi a onda que me levou.
Engoli dois litros daquele sal poluído.
Que gosto salgado horrível.
Meu corpo luta. As horas passam sem deixar horários.
Que cansaço.
Esse mar não tem fim, essas ondas não tem fim.
É por isso que dá medo de entrar.
O que está alí no meio, nunca para de quebrar.
Penso que vou pra frente... eu vou pra frente
Mas quando olho pra trás, já estou lá.
Aonde é que eu estou? Que merda!
Essa sensação de estar bem onde as ondas quebram...
Nessa imensidão eu só consigo suar seco
Nem eu mesma me sinto.
Falta ar. Falta ar na minha circulação.
Agora eu sinto cãibra, dor, calor...
Estou caindo, me afogando
Que gosto bom e horrível.
É que no fundo tudo é tranquilo.
Mal se pensa em ainda quebrar ondas.
Mas eu gosto do ciclo
Da rotina de ver o corpo nu
E puxo o ar novamente,
nessa sensação de andar onde as ondas quebram...

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