sábado, 5 de dezembro de 2009

Ao amor que permanece

Vai

Machuca a alma dos teus conhecidos.

Eu vou viver amores que antes proibiste.

Percebes que a cada encontro a distância aumenta mais?

O que o corpo ainda pede, a cama em si já se cansou,

Os lençóis repetidos cobrem anos de saudade,

As pegadas na parede a tinta terminou de apagar,

E o vento continua a levar embora a paixão que ainda apoiamos em
janelas.

Já não trocamos mais palavras

Vivemos, ainda, porque aceitamos o resumo das nossas vidas

Entende

Nosso silêncio é uma forma de adeus.


Vai

E leva contigo esse vazio que tu criaste em mim.

Não continuas a me pontuar com reticências,

Que esse não-sentimento, torna confusa a nossa solidão.

Não estamos juntos. Nossos corpos estão sozinhos,

Tentando dizer um ao outro que o tempo passou.

Agora tu estás em todos os lugares.

Não te amo mais em ti.

Amar não é sofrer,

É se conhecer em outro alguém.


Entende

Agora não da mais pra te amar demais.


Vai

Que eu te permito conseguir me esquecer.

Eu só lamento o quanto te enganas,

O tanto que negas, é o tanto que amas.

E tu continuarás assim,

Nessa loucura de viver escondido em tua dor.

Sara Marinho

Gravura de Gustav Klimt

2 comentários:

Nathalia Ferro disse...

Acerca de obras primas sou muito suscinta, pq o que é bom por si só fala.
Que bom quando alguém decifra pra nós aquilo que só conseguimos sentir.

Lindo, Sarinha.

SaraMaper disse...

Acho interessante como algo pode ser bonito e triste ao mesmo tempo. Quando se trata de amor e sentimentos, a coisa fica tão contraditória e confusa, não é?
O seu texto revela demais o meu momento atual =s.