
Ela vivia em sua acanhada moldura de madeira. Uma moldura oval, sem cantos pontiagudos. Era pequena, simples, mas bastante simpática. Há muito, ela a habitava, e sentia-se feliz por estar ali. Era o que era desde sempre, nunca precisou mais do que sorrir. Não tinha preocupações em ser mais do que aquilo, porque emoldurada ela já estava. Cada parte do seu sorriso, variava sua constância. De olhos atentos, perseguia até o vento. Caminhava pelas ruas dentro de pensamentos alheios. Na moldura ela estava.
Fazia parte só da vida dos que ali passavam.
Dos que passaram.
Ficou ela, emadeirada. Acanhada em sua moldura, precisou sorrir. Havia preocupação em ser mais do que aquilo. Em cada parte do seu sorriso, uma inconstância. De olhos atentos, foi perseguida até pelo vento. Caminhou pelas ruas em pensamentos alheios. Os que ali passavam, fizeram parte de sua vida.
E passaram.
Cheia de cantos. Foi o que era desde sempre. Pequena, simples, mas bastante simpática. De frente para a moldura de madeira ficou, ela, acanhada. E sentiu-se feliz por estar ali.
Sara Marinho
Gravura de Romero Britto
1 comentários:
Porque as imagens mais simples são as que demonstram maior a virtuosidade de quem as cria.
Impecavelmente leve e definitivamente suave.
E digo mais:
Brutalmente delicado este teu texto.
=*
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