segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Silêncio no coração

Andei pensando



As vezes eu tenho vontade de esquecer minhas paixões
Todas elas
Aquelas paixões que a gente conserva


Elas não estão perto


Nem sequer tu és paixão também
Mas a gente guarda
Pra ter em quem pensar quando uma paixão se vai



Imagina, não ter paixão nenhuma
Seria uma solidão gritante




Mas eu tenho vontade de esquecer minhas paixões
Descobrir como é o silêncio de não tê-las.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Egoísmo virtuoso

Olha eu acho que descobri um novo tipo de egoísmo meu. Musical. É bobagem, eu sei, mas quando muitas pessoas cantam as músicas que eu mais gosto, músicas que, na minha cabeça, só uma pequena parcela da população conhece e aprecia, eu instantaneamente, perco o gosto pela coisa.
Está certo que a Roberta Sá não é lá uma cantora longe das vitrines. Qual é... A mulher tá crescendo e aparecendo. Mas até um certo momento, (no meu ciclo social) só eu e minhas amigas mais adoradoras daquelas vozes bem penetrantes de sambinhas cariocas delicados, é que cantarolávamos imitando a voz linda de performance sem graça de Roberta Sá.
Agora, não digo nem Maneco que só se dá ao trabalho de escrever a novela, mas toda uma equipe interna e externa de publicidade, marketing e o escanbau, resolve pegar a vozinha linda de performance sem graça de Roberta, inserir no núcleo wave característico de Maneco e logo logo, todos os orkuts, twiters, facebooks e mais cinco tecnologias diferentes estarão cheio de "frases de efeito" com as letras fofinhas e alegres que tanto já cantarolei.
Não será surpresa se minha prima de 10 anos, que posta fotos no orkut cujo álbum chama-se EGO [a menina nem aprendeu a ter ainda], atualizar seu perfil com "poesia vã. Pobre verso meu. Que brota quando feneceu...", ... Aí o nome do novo álbum de fotografias: Lavoura.
Nesses momentos é que imagino o que, de fato, passava-se na cabeça dos radicais Frankfurtianos que tanto alfinetaram a indústria cultural, justamente por tirar das obras seu direito de ser apreciada por quem a entenda e transformá-las em meros objetos de desejo dos consumidores.
Se fui muito longe com o meu egoísmo, peço desculpas por ser provida de tal "pecado", só lamento esse meu instinto de abusar espontâneamente de tudo que cai na boca do povo.
Saravá que Egberto Gismont não tem a estabilidade musical que as pessoas esperam de um compasso (penso eu), assim ninguém fará letras dançantes e no máximo, um dj ousado arriscará um samba-rock. E quem sabe, ao menos esse, não troque a água e o vinho pelas festas no apê.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Quem pôs açúcar no meu açaí?


Não é dieta. É diabetes. Já são vários os estabelecimentos alimentícios que abidicaram dos suquinhos e cafezinhos adoçados para deixar a critério do cliente a opção de usar açúcar ou adoçante. A política da boa forma deslanchou essa iniciativa e os diabéticos pegaram carona. No entanto, ainda são poucos os que te dão a oportunidade de escolha, no dia-a-dia ou aplica a insulina, ou nada de cafezinhos e suquinhos na lanchonete da universidade ou no trailler da esquina. A falta de informação nos estabelecimentos, levam os funcionários a negligenciar os pedidos dos clientes, e estes acabam por ingerir, na maioria das vezes, uma substância ao inves de outra.
A diabetes é uma doença que atinge pessoas de todas as idades. É provocada pela deficiência na produção de insulina, que é o hormônio responsável por aumentar a permeabilidade da membrana plasmática a glicose. A grosso modo, ela ajuda a metabolizar o açúcar do sangue para transformá-lo em energia.
Sem a insulina, o açúcar não é metabolizado e o corpo reage. Em grandes quantidades, as complicações são severas e podem levar a cetoacidose diabética (no DM tipo I) e ao coma hiperosmolar (no DM tipo II). Qualquer negligencia com uma pessoa diabética, além de desrespeito ao próximo, é irresponsável e criminoso.
É comum, ao reclamar do seu pedido, o cliente passar pelo constrangimento de ouvir a tão usada pergunta: "Adoçante pra que, você não é gorda". Não bastasse correr o risco de comprometer a saúde, o sujeito ainda precisa explicar a sua doença em frente a todos.
A convivência com pessoas que sofrem de quaisquer debilitação que seja, nos torna sensíveis com a necessidade do outro. Seja preparando o café sem açúcar, seja preparando o bolo diet, seja atentando as embalagens de comida. O crescimento de lanchonetes e restaurantes que respeitam a escolha do cliente é notável, mas em contrapartida, a maioria são estabelecimentos caros e que não condizem com a vida urbana corriqueira do dia-a-dia. De resto, ainda é preciso arriscar-se e confiar na boa fé de quem prepara aquele delicioso guaraná de açaí das barraquinhas litorâneas na cidade, enquanto não existe leis que assegurem o diabético de que sua vontade será respeitada.

- Vê um açaí pra mim, favor?? SEM AÇÚCAR!


Sara Marinho


SARAVÁ.

sábado, 21 de março de 2009

Meu mistério


Existem mistérios que são pessoas.
Eu conheço um assim.

Sabe, os olhos dela são contornados de um sorriso doce
E o sorriso dela é tatuado de sinais
Não é cabelo o que ela tem
E sim cachos personificados que deslizam da crista lisa de sua cabeça

Quando ela fala, tudo ao redor brilha
A luz é tanta que irradia
Reflete nas paredes, atravessando janelas
Até os pêlos loiros, mesmo finos, comparecem

Não é dança, como ela se movimenta
É o bater da asa de uma borboleta que se apresenta
A terra até giraria ao contrário
Se, o meu mistério, muito rápido, olhasse para o lado

Quando ela sorri, até a alma esquenta
Mesmo o mais triste rosto, perto dela, não aparenta
Ela é curiosa e estimulante, ela tem musicalidade
Meu mistério é maior que a minha saudade

Esse mistério, é claro, não é só meu
Mas eu o enxergo tão perfeitamente
Que as vezes penso que sou eu

Existem pessoas que são mistérios.
Eu conheço uma assim.

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Sara Marinho Soares

[Melhor amiga, irmã, minha vida. Meu melhor tempo, meu melhor investimento. Meus parabéns pelos teus 22 anos de vida. Tu mereces tudo que esta terra tem de melhor à oferecer. Seja sempre esse ser HUMANO lindíssimo que és.

Solidariedade com Deus

Discuta, pois, mais tarde isto comigo,
Mas está para nascer um que projete em mim tanto dó quanto Deus.
Encontraram um nome pra pôr a culpa. Encontraram um artifício de desculpa.
Encontraram o endereço de Deus.
Deus é aquele trabalhador mais cansado no final do expediente. É o afadigado senhor de 80 anos do sertão. É a caixa de sugestões da beira da bancada. É a rua mal asfaltada, Deus é o banco da estação.
A causa de tudo no mundo, foi destinada ao Senhor criação.

Gente, Deus trabalha, Deus tem mais o que fazer.

Filho de Deus é aquele pedinte miserável do semáforo, filho Dele é disk-reclamação.
Filho de Deus, tudo quer fácil,
Pode ser um obrigado, pode ser um pedido de perdão
Pra filho, nem sequer Ele é substantivo. É advérbio... é concessão.

Se a chuva cobriu a terra, Deus queria castigar
E se ela banhou a pele, não quis mais que ajudar
Se encontrou um novo amor, Deus achou que mereceu
Se o seu amor morreu, sem problemas, foi Deus
Se o emprego é muito bom, foi Ele quem orientou
Se o contrato acabou, o que importa é o que Deus achou
Se te falta dinheiro, é só pedir que Deus dá
Se te tem muito dinheiro, agradece que ele deixa passar
Matou três e se arrependeu? Pede perdão direto pra Deus
Morreu quatro num acidente? Foram todos pra perto dele, contentes

Me falta um ar solidário com todo este trabalho árduo que Deus tem
Daria aquele tapinha nas costas de apoio, se com Ele eu encontrasse na rua
Ainda me pergunto como pode alguém querer ser Deus.
Deus sofre!
Sai de casa e todo mundo sabe o nome Dele, todo mundo, Dele, quer alguma coisa
Eu, como Deus, mudaria meu endereço.
Solidária à Ele, faço até este apelo:

Deixem Deus viver
Que Ele trabalha e tem muito mais o que fazer.

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Sara Marinho Soares

segunda-feira, 16 de março de 2009

Conversa de mulher: Porta de banheiro

Reclama do clima, fala mal do seu corpo, fala do corpo da amiga, elogia o corpo dela, mente e elogia. Fala do clima, reclama do transito, nigrinha dos outros, fala um pouco sobre o trabalho... Arrisca assuntos sociais, da de ombros porque jura que sabe mais. Reclama de qualquer coisa. Fala da mídia, fofoca da mídia, fofoca de alguma amiga. Diz que odeia fofoca. Uma pausa para falar de homem... Respira... fala de homem novamente... Para... reclama do clima... Olha pro lado... Diz que vai ao banheiro... Não volta mais.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Tempo, ponto e vírgula

O tempo passa. Eu não gosto de pensar nisso. Mas o tempo passa.

Minha infância e adolescência tornaram-se uma lembrança, uma saudade, uma época particular. Sinto que em algum momento um ponto parágrafo acentuou o meu trajeto linear. Sinto que hoje, sou como um boneco de barro modelado pelas mãos do que passou na minha vida. Pelas minhas próprias mãos.

O tempo leva. O tempo divide.

Esse ponto, esse ponto que surgiu, ele me incomoda. Não sei quando foi, nem como ele veio. Não acordei numa manhã me sentindo pontuada. Nunca sequer havia sentido uma pontuação. Mas agora, além do ponto, sou uma interrogação.

O tempo escreve. O tempo limita.

Cresci interligando meus passos à frente com minhas pegadas para trás. Todo mundo cresce assim. Eu adolescente, visitava minha infância com frequência. Tudo se conectava. Tudo evoluia. Minha vida toda, sequer tinha uma vírgula. E agora esse ponto. Maldito ponto. Levou meus melhores anos.

O tempo carrega. O tempo modela.

Esse boneco em que eu me vejo, já tem braços, pernas, seios... Já tem olhos, boca... Até uma ruga ele já tem. É um boneco solitário que segura nas mãos uma mala. Dentro da mala, meus 21 anos vividos. Esse boneco me assusta. Ele se parece muito comigo.

O tempo distorce. O tempo muda.

Olho pra frente e tudo que vejo são pontuações. Eu, parida de 21 anos, com uma mala na mão. As vírgulas com seus formatos tortos me assediam. Caminhos. Em cada curva, uma exclamação. Minha época particular, hoje é assombração.

O tempo maltrata. O tempo pontua.

Eu levada, eu dividida, eu escrita, limitada. Eu carregada, eu modelada. Eu distorcida, mudada, maltratada... Eu agora Pontuada.

O tempo passa. Eu não gosto de pensar nisso. Mas o tempo passa.

Sara Marinho Soares