Eis aqui um círculo problemático e vicioso.
Piadas a parte, o trabalho escravo realmente é assim.
E em construção...





Gravura de Gustav Klimt
VaiJá não trocamos mais palavras
Vivemos, ainda, porque aceitamos o resumo das nossas vidas
Entende
Nosso silêncio é uma forma de adeus.
Vai
E leva contigo esse vazio que tu criaste em mim.
Não continuas a me pontuar com reticências,
Que esse não-sentimento, torna confusa a nossa solidão.
Não estamos juntos. Nossos corpos estão sozinhos,
Tentando dizer um ao outro que o tempo passou.
Agora tu estás em todos os lugares.
Não te amo mais em ti.
Amar não é sofrer,
É se conhecer em outro alguém.
Entende
Agora não da mais pra te amar demais.
Vai
Que eu te permito conseguir me esquecer.
Eu só lamento o quanto te enganas,
O tanto que negas, é o tanto que amas.
E tu continuarás assim,
Nessa loucura de viver escondido em tua dor.
Sara Marinho
Gravura de Gustav Klimt


Ela vivia em sua acanhada moldura de madeira. Uma moldura oval, sem cantos pontiagudos. Era pequena, simples, mas bastante simpática. Há muito, ela a habitava, e sentia-se feliz por estar ali. Era o que era desde sempre, nunca precisou mais do que sorrir. Não tinha preocupações em ser mais do que aquilo, porque emoldurada ela já estava. Cada parte do seu sorriso, variava sua constância. De olhos atentos, perseguia até o vento. Caminhava pelas ruas dentro de pensamentos alheios. Na moldura ela estava.
Fazia parte só da vida dos que ali passavam.
Dos que passaram.
Ficou ela, emadeirada. Acanhada em sua moldura, precisou sorrir. Havia preocupação em ser mais do que aquilo. Em cada parte do seu sorriso, uma inconstância. De olhos atentos, foi perseguida até pelo vento. Caminhou pelas ruas em pensamentos alheios. Os que ali passavam, fizeram parte de sua vida.
E passaram.
Cheia de cantos. Foi o que era desde sempre. Pequena, simples, mas bastante simpática. De frente para a moldura de madeira ficou, ela, acanhada. E sentiu-se feliz por estar ali.
Sara Marinho
Gravura de Romero Britto

Gravura de Gustav Klimt

