sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

E por falar em círculos...

Sabe qual o problema do trabalho (estágio) escravo? A rotatividade. Por mais que você reclame da péssima remuneração, da falta de férias, da falta do fim de semana, dos feriados, do ar-condicionado que não cumpre sua única função designada, a de gelar; .., sempre haverá um outro escravo (estagiário) para assumir o seu lugar. E ganhar a sua péssima remuneração. 

Eis aqui um círculo problemático e vicioso.

Piadas a parte, o trabalho escravo realmente é assim.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Há quem diga que há muita tristeza no que escrevo. Mas entendam, sentimentos não são tropeços. Não escrevo a reação do pé ao pisar no prego. Escrevo a consequência. A dor, o sufoco... Assim me analiso na reação de causa e efeito. Tautologicamente digo, dia após dia, a angústia da espera. O momento vivo de pintar novamente aquela figura transparente da saudade. "Os olhos viam o que um beliscão acordaria de um sonho". São aqueles instantes anteriores à última projeção da imagem amada atravessando a retina. Sentimentos. Sensações frágeis perante lembranças fixas. Decerto que para outros, minha saudade falta sinopse. Mas escrevo. No anseio de sarar a ferida rotineiramente aberta. E diante de quatro noites restantes de solidão, fica a presença desse sentimento insanamente proporcional, onde cada dia que me aproximo da chegada é um dia a mais que me afasto da despedida.

terça-feira, 25 de maio de 2010

À distância

É. É disso que eu estou falando. Como disse ainda pouco que acredito em ciclos.
Desligar não é tarefa de todos os dias.
Daí que falar primeiro dói tanto como quem fala por último. E de dor, transforma em sono...
Pisca os olhos e já é dia. E os tais raios solares poeticamente desejados em histórias para dormir não vêm.
Então você sai de casa e continua a reclamar do transporte público, até que a notícia de uma visita te faça sorrir com os dentes a mostra por minutos.
E do outro lado, onde mora a saudade, as manhãs continuarão a ser quentes e as lembranças da meia noite serão transcritas em palavras letra a letra digitadas, perambulando, soltas, numa sala fria, que falcilmente chamaria solidão.
Até que corre o dia e correm nele momentos de despedida. Dia sua, dia minha. E aqueles instates de silêncio são apenas formas de dizer eu te amo.
É, é exatamente sobre isso que eu estou falando, da mesma forma que te disse que acredito em ciclos.

terça-feira, 23 de março de 2010

Eu deixarei

                                Eu deixarei assim
           Eu
                         Deixarei de me preocupar
De me preocupar assim
                                           Me preocupar assim que descobrir
          Descobrir
Do que são feitas as dúvidas
                          Do que são feitas?
                                            São feitas as dúvidas
          Feitas as dúvidas
                             Dúvidas
 Deixarei assim
                                    De me preocupar com as dúvidas.
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A dor é ser

...



 

Adoecer.



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Subjetivo

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Tenho medo do que faria

Se não entendesse as entrelinhas.


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quinta-feira, 11 de março de 2010

A dor é ser


Começou no coração.
Espalhou-se pelos dois átrios e ventrículos. Do momento em que descobri, para ocorrer a manifestação, foi muito rápido. Percebi devido a arritmias constantes durante o dia. Havia instantes que o coração disparava em sobressalto, mas era só respirar devagar que melhorava. Nesses instantes, esquentava tudo. A temperatura do corpo subia tão demasiadamente, que logo caia em cólera.
O que aconteceu depois disso, foi o esperado... As veias e artérias não suportaram a pressão, e começou a espalhar-se para o pulmão. Isso impossibilitou que eu respirasse bem. O ar que eu inspirava nem sequer chegava aos pulmões, resultado disso, foi uma sufocante sensação de nó na garganta. Nó mesmo. Engatava tudo. A comida não passava, o ar não passava, a voz não saia... Toda essa angústia antingiu o meu estômago. Este, por sua vez, ficou tão pequeno que, a partir disso, senti um fastio muito grande.
Naturalmente que meu intestino iria sofrer por consequência. Então todas aquelas ondas peristálticas acabaram por criar uma irritação no sistema digestivo. Cólicas abdominais por dias a fio. Comecei a desidratar. Por causa disso, passei a beber muita água. Os rins imediatamente passaram a trabalhar dobrado. Por não ingerir mais comida, a carência de ferro tornou-se gritante e o fígado entrou em choque.
Como disse, tudo começou no coração.
Foi tão forte que, assim que disseminou para os outros órgãos, o corpo inteiro começou a pulsar a cada batida cardíaca. Percebi que estava a um batimento de falência múltipla dos órgãos.
Então, o telefone toca.
Do outro lado escuto uma voz baixa, devagar, me-ti-cu-lo-sa... Palavras marcapasso penetram os ouvidos atingindo o órgão principal com toda a força. Tal qual um mantra. O coração segue em batidas sublimes. Devagar, o som percorre todo o trajeto sanguíneo. O ar entra avassalador enchendo os pulmões de vida, provocando um reflexo instantâneo de falar. A voz surge. Toda a euforia abre a boca do estômago. Satisfeito, avisa o intestino que chegou a hora de trabalhar. O mantra circula coerente pelas veias e artérias.
Até que chega o momento. Suavemente o som acaba, finalizado, enfim, pela doce lembrança do dizer:
- Que saudade de você.

Adoeço novamente.
Sara Marinho
Gravura Gustav Klimt - The Kiss

domingo, 7 de março de 2010

Aquilo que ela escreve antes de dormir


Pela manhã, sou individualista. Quero meus segredos só pra mim. Não contaria mais nada a mais ninguém. Sou séria no meu necessário.

Eu, de manhã, esqueço meus amores. Os ex-amores. Apago-os de um sonho eterno.
De manhã eu espero que o corpo morra, fico perseverando a depressão.
São só dois passos. É só um passo. Se eu cair... Se eu cair é melhor.

De manhã eu gosto do argumento de não levantar. Ser doente é matutino. A manhã dispara as minhas entranhas.
Se eu não acordar é melhor. Se eu cair, tanto faz.

Eu, pela manhã, sou o avesso do noturno.
O dia raiou e levou embora meus amigos.
De manhã sou só segredos.
Se eu dormir é melhor, tanto faz.
Caindo a noite, o que eu sou me trai.

A manhã poderia matar meu noturno.
Eu acordaria viva de melancolia.
Ninguém nunca mais machucaria a mim.
Esses da noite, esses que amanhecem... Morreriam todos com a manhã.
Só eu e a tristeza desejada. Afundando na certeza de que eu, partida, sem a noite seria inteira.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Faxina


Faça uma faxina no seu quarto.
Tire móveis, tire as coisas dos móveis.
Tire tudo que puder ser retirado.
Comece a limpar.
Você perceberá quanta sujeira, quanta velharia, quanta coisa precisa ser jogada fora e quanta coisa precisa voltar à sua vida.
Faxina terminada, coloque de volta no seu quarto somente o que você precisa.
Redecore, pinte... Mude os móveis de lugar.
Guarde as lembranças boas em um lugar onde você possa visitar com frequência os momentos da sua vida.
Doe o que precisa ser doado.
O resto, você perceberá que são pesos no seu dia a dia.
Tome um bom banho, ponha lençóis limpos no colchão,
E experimente dormir em paz.

Agora que você aprendeu e experimentou,
Faça a mesma coisa dentro de você.

Faça uma faxina no seu corpo.
Tire o rancor, a raiva...
Retire tudo que puder ser retirado.
Comece a se limpar.
Você perceberá quanta sujeira e quanta velharia há em você.
Escreva em um papel todos os sentimentos que guarda na alma.
Escreva-se.
Terminada sua limpeza, comece a colocar de volta no seu corpo só aquilo que você precisa para viver e ser feliz.
Mude, cuide-se, renove-se...
Troque você próprio de lugar.
Guarde as lembranças boas em um lugar que você possa visitar com frequência dentro de si próprio.
Doe-se, para que os outros também se doem à você.
O resto, você perceberá que são pesos na sua vida.

Agora tome um bom banho, vista em seu corpo roupas leves e limpas,
E experimente dormir em paz.


Sara Marinho
Gravura de Romero Britto

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Da repetição


Que dor nas pernas
É essa sensação de andar bem onde as ondas quebram
Eu puxo o ar e estico as pernas em dois passos largos
avanço um metro, depois tudo escurece
Foi a onda que me levou.
Engoli dois litros daquele sal poluído.
Que gosto salgado horrível.
Meu corpo luta. As horas passam sem deixar horários.
Que cansaço.
Esse mar não tem fim, essas ondas não tem fim.
É por isso que dá medo de entrar.
O que está alí no meio, nunca para de quebrar.
Penso que vou pra frente... eu vou pra frente
Mas quando olho pra trás, já estou lá.
Aonde é que eu estou? Que merda!
Essa sensação de estar bem onde as ondas quebram...
Nessa imensidão eu só consigo suar seco
Nem eu mesma me sinto.
Falta ar. Falta ar na minha circulação.
Agora eu sinto cãibra, dor, calor...
Estou caindo, me afogando
Que gosto bom e horrível.
É que no fundo tudo é tranquilo.
Mal se pensa em ainda quebrar ondas.
Mas eu gosto do ciclo
Da rotina de ver o corpo nu
E puxo o ar novamente,
nessa sensação de andar onde as ondas quebram...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Meu corpo ciclo


Amanheço amor, nas carícias de um raio solar. Sou outra. Estou um dia a mais, uma pessoa a mais. Aos cuidados do mundo. Estou somando. Num passo e outro vou mudando. Cada segundo multiplicando minhas células com pressa de viver. Não tenho pressa. Estou crescendo. Do que escrevo me alimento. Penso... Penso... Estou viva. Não disfarço. Sobreviver me agonia. Deixo o ar sair tão profundo quanto entrou. Todo expirar é uma despedida. Aprendi. O desapego não é solidão. Eu que estou sozinha. Aceito. Minhas tardes e noites também são dias. Reconheço meu rosto quando lembro. Agora entendo. Pessoas não são espelhos. Devagar eu entardeço. Sou outra. Respirei quem sou pra fora. Mudar não me incomoda. O mundo está girando meus pedaços. Os pedaços. O futuro de tudo é o passado. A vida é contínua. Meu corpo continua. Estou cedendo. Estou conceito. Madura em carne viva eu anoiteço. Sou outra. Pés descalços, sinto o gozo de um dia inteiro. Desconhecidos provocam saudade. Foi o mundo que girou minhas partes. Nada é metade. Agora compreendo. Cada dia é uma obra de arte. Assim, da vida me desprendo.

Sara Marinho

Gravura de Gustav Klimt

sábado, 5 de dezembro de 2009

Ao amor que permanece

Vai

Machuca a alma dos teus conhecidos.

Eu vou viver amores que antes proibiste.

Percebes que a cada encontro a distância aumenta mais?

O que o corpo ainda pede, a cama em si já se cansou,

Os lençóis repetidos cobrem anos de saudade,

As pegadas na parede a tinta terminou de apagar,

E o vento continua a levar embora a paixão que ainda apoiamos em
janelas.

Já não trocamos mais palavras

Vivemos, ainda, porque aceitamos o resumo das nossas vidas

Entende

Nosso silêncio é uma forma de adeus.


Vai

E leva contigo esse vazio que tu criaste em mim.

Não continuas a me pontuar com reticências,

Que esse não-sentimento, torna confusa a nossa solidão.

Não estamos juntos. Nossos corpos estão sozinhos,

Tentando dizer um ao outro que o tempo passou.

Agora tu estás em todos os lugares.

Não te amo mais em ti.

Amar não é sofrer,

É se conhecer em outro alguém.


Entende

Agora não da mais pra te amar demais.


Vai

Que eu te permito conseguir me esquecer.

Eu só lamento o quanto te enganas,

O tanto que negas, é o tanto que amas.

E tu continuarás assim,

Nessa loucura de viver escondido em tua dor.

Sara Marinho

Gravura de Gustav Klimt

Pensamento e ela


Tu, de mesmo nome que o meu,
Acalma tua face te guardando os pensamentos.
Tua serenidade se espalha em teus cabelos.
O que não escreve em palavras,
Descreve no teu andar ao desfilar sorrindo.
Cada fio de tua cabeça é uma vontade te saindo.
Cortarte-os, para os pensamentos contê-los.
Cortaste...
Para, assim, não sentir o peso de teus anseios,
Alcançando o colorido dos teus ombros.

Sara Marinho

(Para minha xará e seus pensamentos tão bem guardados)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

R, a letra da (má) influência

Reparando nas gírias mais "descoladas" e "maloqueiras" que só os mais "descolados" e "maloqueiros" falam, pude notar que em, praticamente, todas elas, o R se encontra pelo meio. Esse encontro com o R pode, definitivamente, afetar seu vocabulário e acabar gerando uma treta durante alguma conversa, principalmente se essa conversa for no seu trampo em um daqueles momentos da broca, onde todos se encontram e, por alí, quebram um pouco, até voltar a trampar. É tanto encontro consonatal que o cara fica até cabreiro de se deparar com o R no meio do seu caminho.
- Ixi, la vem o R, rasga, mermão!
Pobre letra, tão mal compreendida. Lá está ela, toda deslocada entre a discrição do Q e a sinuosidade delicada do S. Até pra ser pronunciado, o R faz um esforço para aparecer, tanto, que em alguns idiomas ele tampouco dá as caras. Fica escondido por entre as cordas vocais cansadas, despertando entre um ronco e outro, ou depois de dias intensos, emergindo na rouquidão dos mais exaustos. Não é que ele seja "do mal", mas em momentos de raiva, acaba-se por invocar a letra da mais profunda amargura e vontade de gritar. Grrrrrrrrrr...
Andando por esses meios tão mundanos, tão levianos e tão distraídos, seria difícil o R não começar a frequentar o linguajar dos menos rebuscados.
No entanto, sair do caminho só por olhar o R passando faz perder toda a diversão. Ele está em todos os frevos, em todas as lombras, em todas as trips.. Por sua enorme capacidade de abreviar assuntos, conversar com ele tira qualquer chance de ser chato e prolixo. Quem quer ser prolixo? Pro lixo!!!
Reparando bem no R, não é ele que faz parte da rapeize, é a rapeize que faz parte dele. O cara é influente por si só. Está alí, na dele, entre a discrição do Q e a sinuosidade delicada do S. Participando de todos esses momentos angustiantes das nossas vidas, mas sempre, muito bem vindo.
É mais prazeroso arrotar para dentro ou para fora? Gritar para dentro ou para fora? E é mais sexy uma voz normal ou uma rouca?
Vamos combinar... Se a questão for diga-me com quem andas que te direi quem és, fica divertido estar num ambiente de "péssima" influência, andando com a letrinha mais rebelde e radical do alfabeto.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Menina da moldura




Ela vivia em sua acanhada moldura de madeira. Uma moldura oval, sem cantos pontiagudos. Era pequena, simples, mas bastante simpática. Há muito, ela a habitava, e sentia-se feliz por estar ali. Era o que era desde sempre, nunca precisou mais do que sorrir. Não tinha preocupações em ser mais do que aquilo, porque emoldurada ela já estava. Cada parte do seu sorriso, variava sua constância. De olhos atentos, perseguia até o vento. Caminhava pelas ruas dentro de pensamentos alheios. Na moldura ela estava.


Fazia parte só da vida dos que ali passavam.


Dos que passaram.


Ficou ela, emadeirada. Acanhada em sua moldura, precisou sorrir. Havia preocupação em ser mais do que aquilo. Em cada parte do seu sorriso, uma inconstância. De olhos atentos, foi perseguida até pelo vento. Caminhou pelas ruas em pensamentos alheios. Os que ali passavam, fizeram parte de sua vida.


E passaram.


Cheia de cantos. Foi o que era desde sempre. Pequena, simples, mas bastante simpática. De frente para a moldura de madeira ficou, ela, acanhada. E sentiu-se feliz por estar ali.




Sara Marinho


Gravura de Romero Britto

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Silêncio no coração


Andei pensando



As vezes eu tenho vontade de esquecer minhas paixões
Todas elas
Aquelas paixões que a gente conserva


Elas não estão perto


Nem sequer tu és paixão também
Mas a gente guarda
Pra ter em quem pensar quando uma paixão se vai



Imagina, não ter paixão nenhuma
Seria uma solidão gritante




Mas eu tenho vontade de esquecer minhas paixões
Descobrir como é o silêncio de não tê-las.

Sara Marinho

Gravura de Gustav Klimt

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Egoísmo virtuoso

Olha eu acho que descobri um novo tipo de egoísmo meu. Musical. É bobagem, eu sei, mas quando muitas pessoas cantam as músicas que eu mais gosto, músicas que, na minha cabeça, só uma pequena parcela da população conhece e aprecia, eu instantaneamente, perco o gosto pela coisa.
Está certo que a Roberta Sá não é lá uma cantora longe das vitrines. Qual é... A mulher tá crescendo e aparecendo. Mas até um certo momento, (no meu ciclo social) só eu e minhas amigas mais adoradoras daquelas vozes bem penetrantes de sambinhas cariocas delicados, é que cantarolávamos imitando a voz linda de performance sem graça de Roberta Sá.
Agora, não digo nem Maneco que só se dá ao trabalho de escrever a novela, mas toda uma equipe interna e externa de publicidade, marketing e o escanbau, resolve pegar a vozinha linda de performance sem graça de Roberta, inserir no núcleo wave característico de Maneco e logo logo, todos os orkuts, twiters, facebooks e mais cinco tecnologias diferentes estarão cheio de "frases de efeito" com as letras fofinhas e alegres que tanto já cantarolei.
Não será surpresa se minha prima de 10 anos, que posta fotos no orkut cujo álbum chama-se EGO [a menina nem aprendeu a ter ainda], atualizar seu perfil com "poesia vã. Pobre verso meu. Que brota quando feneceu...", ... Aí o nome do novo álbum de fotografias: Lavoura.
Nesses momentos é que imagino o que, de fato, passava-se na cabeça dos radicais Frankfurtianos que tanto alfinetaram a indústria cultural, justamente por tirar das obras seu direito de ser apreciada por quem a entenda e transformá-las em meros objetos de desejo dos consumidores.
Se fui muito longe com o meu egoísmo, peço desculpas por ser provida de tal "pecado", só lamento esse meu instinto de abusar espontâneamente de tudo que cai na boca do povo.
Saravá que Egberto Gismont não tem a estabilidade musical que as pessoas esperam de um compasso (penso eu), assim ninguém fará letras dançantes e no máximo, um dj ousado arriscará um samba-rock. E quem sabe, ao menos esse, não troque a água e o vinho pelas festas no apê.

sábado, 30 de maio de 2009

Quem pôs açúcar no meu açaí?


Não é dieta. É diabetes. Já são vários os estabelecimentos alimentícios que abidicaram dos suquinhos e cafezinhos adoçados para deixar a critério do cliente a opção de usar açúcar ou adoçante. A política da boa forma deslanchou essa iniciativa e os diabéticos pegaram carona. No entanto, ainda são poucos os que te dão a oportunidade de escolha, no dia-a-dia ou aplica a insulina, ou nada de cafezinhos e suquinhos na lanchonete da universidade ou no trailler da esquina. A falta de informação nos estabelecimentos, levam os funcionários a negligenciar os pedidos dos clientes, e estes acabam por ingerir, na maioria das vezes, uma substância ao inves de outra.
A diabetes é uma doença que atinge pessoas de todas as idades. É provocada pela deficiência na produção de insulina, que é o hormônio responsável por aumentar a permeabilidade da membrana plasmática a glicose. A grosso modo, ela ajuda a metabolizar o açúcar do sangue para transformá-lo em energia.
Sem a insulina, o açúcar não é metabolizado e o corpo reage. Em grandes quantidades, as complicações são severas e podem levar a cetoacidose diabética (no DM tipo I) e ao coma hiperosmolar (no DM tipo II). Qualquer negligencia com uma pessoa diabética, além de desrespeito ao próximo, é irresponsável e criminoso.
É comum, ao reclamar do seu pedido, o cliente passar pelo constrangimento de ouvir a tão usada pergunta: "Adoçante pra que, você não é gorda". Não bastasse correr o risco de comprometer a saúde, o sujeito ainda precisa explicar a sua doença em frente a todos.
A convivência com pessoas que sofrem de quaisquer debilitação que seja, nos torna sensíveis com a necessidade do outro. Seja preparando o café sem açúcar, seja preparando o bolo diet, seja atentando as embalagens de comida. O crescimento de lanchonetes e restaurantes que respeitam a escolha do cliente é notável, mas em contrapartida, a maioria são estabelecimentos caros e que não condizem com a vida urbana corriqueira do dia-a-dia. De resto, ainda é preciso arriscar-se e confiar na boa fé de quem prepara aquele delicioso guaraná de açaí das barraquinhas litorâneas na cidade, enquanto não existe leis que assegurem o diabético de que sua vontade será respeitada.

- Vê um açaí pra mim, favor?? SEM AÇÚCAR!


Sara Marinho


SARAVÁ.

domingo, 22 de março de 2009

Meu mistério


Existem mistérios que são pessoas.
Eu conheço um assim.

Sabe, os olhos dela são contornados de um sorriso doce
E o sorriso dela é tatuado de sinais
Não é cabelo o que ela tem
E sim cachos personificados que deslizam da crista lisa de sua cabeça

Quando ela fala, tudo ao redor brilha
A luz é tanta que irradia
Reflete nas paredes, atravessando janelas
Até os pêlos loiros, mesmo finos, comparecem

Não é dança, como ela se movimenta
É o bater da asa de uma borboleta que se apresenta
A terra até giraria ao contrário
Se, o meu mistério, muito rápido, olhasse para o lado

Quando ela sorri, a alma esquenta
Mesmo o mais triste rosto, perto dela, não aparenta
Ela é curiosa e estimulante, tem musicalidade
Meu mistério é maior que a minha saudade

Esse mistério, é claro, não é só meu
Mas eu o enxergo tão perfeitamente
Que as vezes penso que sou eu

Existem pessoas que são mistérios.
Eu conheço uma assim.

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Sara Marinho Soares

[Melhor amiga, irmã, minha vida. Meu melhor tempo, meu melhor investimento. Meus parabéns pelos teus 22 anos de vida. Tu mereces tudo que esta terra tem de melhor à oferecer. Seja sempre esse ser HUMANO lindíssimo que és.

sábado, 21 de março de 2009

Solidariedade com Deus

Discuta, pois, mais tarde isto comigo,
Mas está para nascer um que projete em mim tanto dó quanto Deus.
Encontraram um nome pra pôr a culpa. Encontraram um artifício de desculpa.
Encontraram o endereço de Deus.
Deus é aquele trabalhador mais cansado no final do expediente. É o afadigado senhor de 80 anos do sertão. É a caixa de sugestões da beira da bancada. É a rua mal asfaltada, Deus é o banco da estação.
A causa de tudo no mundo, foi destinada ao Senhor criação.

Gente, Deus trabalha, Deus tem mais o que fazer.

Filho de Deus é aquele pedinte miserável do semáforo, filho Dele é disk-reclamação.
Filho de Deus, tudo quer fácil,
Pode ser um obrigado, pode ser um pedido de perdão
Pra filho, nem sequer Ele é substantivo. É advérbio... é concessão.

Se a chuva cobriu a terra, Deus queria castigar
E se ela banhou a pele, não quis mais que ajudar
Se encontrou um novo amor, Deus achou que mereceu
Se o seu amor morreu, sem problemas, foi Deus
Se o emprego é muito bom, foi Ele quem orientou
Se o contrato acabou, o que importa é o que Deus achou
Se te falta dinheiro, é só pedir que Deus dá
Se te tem muito dinheiro, agradece que ele deixa passar
Matou três e se arrependeu? Pede perdão direto pra Deus
Morreu quatro num acidente? Foram todos pra perto dele, contentes

Me falta um ar solidário com todo este trabalho árduo que Deus tem
Daria aquele tapinha nas costas de apoio, se com Ele eu encontrasse na rua
Ainda me pergunto como pode alguém querer ser Deus.
Deus sofre!
Sai de casa e todo mundo sabe o nome Dele, todo mundo, Dele, quer alguma coisa
Eu, como Deus, mudaria meu endereço.
Solidária à Ele, faço até este apelo:

Deixem Deus viver
Que Ele trabalha e tem muito mais o que fazer.

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Sara Marinho Soares