Discuta, pois, mais tarde isto comigo,
Mas está para nascer um que projete em mim tanto dó quanto Deus.
Encontraram um nome pra pôr a culpa. Encontraram um artifício de desculpa.
Encontraram o endereço de Deus.
Deus é aquele trabalhador mais cansado no final do expediente. É o afadigado senhor de 80 anos do sertão. É a caixa de sugestões da beira da bancada. É a rua mal asfaltada, Deus é o banco da estação.
A causa de tudo no mundo, foi destinada ao Senhor criação.
Gente, Deus trabalha, Deus tem mais o que fazer.
Filho de Deus é aquele pedinte miserável do semáforo, filho Dele é disk-reclamação.
Filho de Deus, tudo quer fácil,
Pode ser um obrigado, pode ser um pedido de perdão
Pra filho, nem sequer Ele é substantivo. É advérbio... é concessão.
Se a chuva cobriu a terra, Deus queria castigar
E se ela banhou a pele, não quis mais que ajudar
Se encontrou um novo amor, Deus achou que mereceu
Se o seu amor morreu, sem problemas, foi Deus
Se o emprego é muito bom, foi Ele quem orientou
Se o contrato acabou, o que importa é o que Deus achou
Se te falta dinheiro, é só pedir que Deus dá
Se te tem muito dinheiro, agradece que ele deixa passar
Matou três e se arrependeu? Pede perdão direto pra Deus
Morreu quatro num acidente? Foram todos pra perto dele, contentes
Me falta um ar solidário com todo este trabalho árduo que Deus tem
Daria aquele tapinha nas costas de apoio, se com Ele eu encontrasse na rua
Ainda me pergunto como pode alguém querer ser Deus.
Deus sofre!
Sai de casa e todo mundo sabe o nome Dele, todo mundo, Dele, quer alguma coisa
Eu, como Deus, mudaria meu endereço.
Solidária à Ele, faço até este apelo:
Deixem Deus viver
Que Ele trabalha e tem muito mais o que fazer.
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Sara Marinho Soares